quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Parte II




As folhas de Outono caiam penosamente por toda terra, toda que eu consigo enxergar e em minha pequena mente isso é toda a terra...

“Olhei até ficar cansado de ver os meus olhos no espelho, chorei por ter despedaçado as flores que estão no canteiro. Os punhos e os pulsos cortados e o resto do meu corpo inteiro a flores cobrindo o telhado e embaixo do meu travesseiro...”.


Cantarolei miseravelmente essa musica, encostando minha cabeça na grama alta e sentindo o orvalho molhar meus cabelos e o sol ir secando tudo a volta. E mais folhas caiam...
Estendi meus braços ao céu e escutei os passos chegando. Sim eu amava aquele som... Coloquei minha cabeça sobre suas pernas e deixei que meus cabelos fossem acariciados e guardei a sensação daqueles toques o suficiente que a amargura permitiu-me guardar.

Eu estou aqui pequena... E nunca irei embora. Você é meu irmão, você é minha vida...


Um dia as coisas mudam, ou fui que mudei.
Simplesmente apeguei-me demais em tudo que me seguia e você ficou para trás com seus sentimentos e eu queria, queria ter-te ao meu lado...

Não entendo porque lê-mos determinados livros e obras. Não faz sentido você estar lendo essas linhas escritas com minhas misérias e nenhuma alegria. Mas você o faz e também não faz sentido a vontade que me levou a cometer meu primeiro assassinato.

E hoje seu sangue será meu e nunca mais terei que olhar para a sua miserável face a me fitar. Eu te odeio e quero sentir sua vida pulsando em minhas mãos e cortar o mal pela raiz que me prejudica tanto...


A vida escorreu pelos meus dedos, e consegui jorrar o sangue pela vida daquele pescoço que tremia e suava.
Não sinto nenhum remorso. Creio ter sido muito ingênuo apenas. Nada me serviu matar aquele humano, extravasou minha raiva, simplesmente. Mas não solucionou meus problemas...

Miserável que me segue pela vida servindo de fantasma sem nem ao menos causar-me remorsos. Desembainhe a espada, lute melhor e por amor a algo que ame, mate-me. Com muita dor, muito sangue. Fite-me nos olhos e vinge-se me mande aos confins do seu inferno, que será muito mais suave ter o fogo queimando-me a pele do que essa tortura de continuar a respirar esse ar...

E assim minha alma ficou marcada e minhas mãos sujas. Mas lavei-as até tirar o último grão de terra que estava por debaixo da minha ruída unha.
De certa forma, o pequeno ser me amava. Não da forma que desejava, mas devo admitir, amava...

Pena que nunca quis pouco

Para quem se contenta com pouco, nada já é razoável.

E me conhecendo bem, decidi que queria ter uma vida de excessos do que de escassez ao lado da espécie que era responsável por todas as minhas escolhas.

“Oh when I woke up tonight I said I…I'm gonna make somebody love well here we are at the transmission party I love your friends they're all so arty, oh yeah”


Todas essas orações soam-me repetitivas e maçantes e observo que assim o sou. Uma pessoa pedante... Eu, sinceramente, só gostaria de um coração.
Esgoto-me de escrever essas linhas. E de remoer, momentaneamente, esse passado. Essa marca negra.


“You're the reason I'm leaving …You're the reason I'm leaving…If I leave we don't stop leaving, you know”



16

E o começo é torto
Mesmo com a estrada reta,
A vida é sina
E rugas na testa

A pedra alta,
E o caminhar acanhado
Lápis de cor jogados
E desenhos em branco

É pedra polida
E palavra morta
É pássaro enjaulado
Presença posta.

Mar sereno
Casa sem porta
Face sem boca

É vida morta.