O tempo das mãos das crianças e do relógio cuco da sala são ainda o mesmo. As décadas transcorridas nesse livro de história e estórias podem ser calculadas pela sirene da escola, que anuncia quando começa e quando termina algo.
Algumas vezes precocemente, outras após o prazo de validade.
O tempo passado que reflete-se na vaidade dos que transitam por si são calculados pelo espelho empoeirado e que reflete apenas nossas sombras.
E o tempo das meninas de saias nos arredores da praça refletidos na retina dos transeuntes, e da maquiagem barata que escorre ao sol do meio dia, assinalado pela sua sombra no chão.
O tempo diário que nasce com o cacarejar do galo velho, consumido pelo mesmo, e em uma cidade sem galos há sempre alguém para fazer esse papel, que se sente consumido pelo tempo ao mesmo tempo que o consome.
O esperar daquele telefonema e o sinal fechar, minutos relativistas.
O tempo que te esperei, a eternidade de uma sala de esperas.
O tempo da saudade que não se calcula.
Perder-se na divisa que os homens colocam nisso que denominamos de tempo tão infinito, tão precioso, assim como a tolice dos homens que o calculam com números.
Assim o tempo fosse marcado pelos fatos pessoais; aquele sorriso do parque, o chá de morango, nosso entrelaçar de mãos, o choro da saudade, a fúria de raiva.
E assim entenderiamos o milésimo, o segundo, o minuto, as horas, os dias, os meses, os anos, as décadas, e os milênios.
Pois, recuso-me de acreditar que são apenas alguns dias, tudo isso é a eternidade torturante.