quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Parte V

Parte V
Uma vez fora daquela prisão mental, muito maior que a física, eu encontrá-la-ia, explicaria tudo e sim, ela me amaria.

“Instant Karma's gonna get you gonna knock you right on the head you better get yourself together pretty soon you're gonna be dead what in the world you thinking of laughing in the face of love”


Depois da fuga, precisava trocar minhas antigas roupas, corta meus cabelos e fazer a barba. Recuperar minha antiga postura e conduta.
Busquei asilo na casa de um amigo dos antigos tempos. Era uma noite chuvosa, mas em minha mente um poderoso Sol brilhava dando-me a certeza de que todo o Mundo estava em minhas mãos.

“Well we all shine on like the moon and the stars and the sun well we all shine on ev'ryone come on”


Depois de explicado meticulosamente todo o processo do qual havia passado de Gregor Sansa a um terrível inseto na minha cama com o auxílio de muitas garrafas e memórias espalhadas no chão; despedimo-nos.
Ele emprestou-me uma quantia em dinheiro, roupas e documentos falsificados que incluía um passaporte, para caso eu mudasse de planos e preferisse começar tudo novamente.
Quando já estava na altura do portão da casa, chamou-me pelo nome e com uma caneta escreveu, em meu braço, o endereço de minha bela adorada e desejou-me boa sorte.
A chuva caia fortemente, como se os céus abençoassem aquele momento, abracei-o, ambos sabíamos que seria a última vez que nos veríamos.
Percorri dezenas de ruas pronunciando o endereço como uma prece que proferida protege seu fiel de si mesmo.
Caia a chuva fortemente.

“Instant Karma's gonna get you gonna knock you off your feet better recognize your brothers ev'ryone you meet why in the world are we here surely not to live in pain and fear why on earth are you there When you're ev'rywhere come and get your share”



Acreditava que ela estaria esperando-me em sua casa, pronta a entender tudo que havia ocorrido perdoar-me, esquecê-lo e começaríamos tudo novamente, mas ao lado dela. Eu tinha essa esperança, essa certeza surda, cega, incapaz de enxergar a verdade que se escondia atrás de qualquer esquizofrenia que alimentei por anos na minha mente, que como uma planta espalhou-se por todo meu corpo com suas raízes e ramificações, estrangulando-me internamente, mas oferecendo-me sombra e abrigo refugiando-me do mundo na sua existência.

“Não há idéia que alcance, ou seja, parecida com a imagem da menina esguia, a bolsa a tiracolo - e as pedras só pesando - Pois ela nunca irá jogá-las”