
Uma menina que sabia amarrar suas sapatilhas
A única coisa que não entendia era a estranha simetria
Que vez ou outra a seguia
Fazer certo, fazer errado, talvez ela nem devesse fazer.
Desfazer o laço, marcar o passo, criar nervos de aço.
Ela buscava entender.
Suas mãos estavam vazias, no peito um novelo de lã embaraçado.
Seus olhos não alcançavam o céu,
Queria atravessar o véu.
Tirou as sapatilhas, criou suas armadilhas.
Do laço, do traço, do braço.
O suspiro, aquele ultimo giro!
Seus nós desataram-se, seus pés cansaram-se
‘Choraram uma horinha
Rezaram uma rezinha’
(...)
-O caminhão de lixo levou suas sapatilhas!